O Julgamento Secreto de Joana D’Arc

Escrito por on 23/07/2018

O espetáculo O Julgamento Secreto de Joana D’Arc estreia no dia 26 de julho (quinta-feira, às 20h) no Teatro Oficina, em São Paulo, com direção artística de Fernando Nitsch e direção musical de Miguel Briamonte. O texto de Aimar Labaki foi escrito por encomenda de Silmara Deon, que vive a heroína francesa numa trajetória épica que inspira coragem há mais de 500 anos, onde o verdadeiro embate está entre a ameaça que o feminino pode provocar nas instituiçõesestruturadas a partir do poder masculino.

 

De forma lúdica, a peça reproduz o ambiente de seu julgamento inquisitório e apresenta a ‘virgem de Orleans’ como uma mulher de estética comum, derrubando padrões e estereótipos impostos pela Igreja, reforçados pela maioria dos filmes e documentários que contam sua história. A peça condensa os últimos quatro meses de vida da heroína, a partir de sua captura e do confronto com o inquisidor Pierre Cauchon, interpretado por Rubens Caribé. A cenografia é assinada porMarisa Bentivegna, a iluminação por Wagner Pinto e o figurino por Daniel Infantini.

 Aimar Labaki explica que não é exatamente a história de Joana D’Arc que a peça apresenta, mas a forma como é espelhada por outros olhos, principalmente os de seu inquisidor. “Esse é um processo político, mas também um julgamento íntimo que deflagra uma crise íntima; a crise de fé de Cauchon. E se tornou metáfora do processo de mediação de cada um de nós para viver o cotidiano, acreditando em algo superior para resolver as questões”, comenta o autor.

 A encenação não realista é carregada de força e sensações ao expor o medo do feminino deflagrado por Joana D’Arc. O enredo aborda desde o momento em que ela é capturada pelos borgonheses numa emboscada – quando ia para a batalha em Paris – até sua morte.  “Esta é uma história aberta. Existem muitas versões de um mesmo fato, portanto temos liberdade de apresentar ‘nossa Joana’ com reflexos nos dias de hoje, representando todas as mulheres, seja ela da época da inquisição ou do mundo atual. Para isso, temos um recurso épico, além do fato da condução deste julgamento ser, por natureza, um grande circo de horrores”, argumenta o diretor Fernando Nitsch.

 Joana reunia atributos que incomodavam. Era mulher, analfabeta e uma guerreira com um carisma arrebatador, cuja liderança ganhava fama. Carregava armadura, espada e estandarte (em cima de um cavalo), comandava soldados, lutava nas batalhas e conquistava propósitos absolutamente masculinos numa época em que para a mulher não era permitida nenhuma expressão. Segundo Fernando Nitsch, a peça revela essa mulher determinada, que buscava a verdade, acima de tudo, e acreditava ter a missão de libertar a França.

 “Como seria essa mulher?”, questiona Silmara Deon. “O fato de ela ser uma santa da igreja católica, além de não haver nada que comprove sua aparência real, fez com que a sua imagem fosse sempre comparada à de uma jovem angelical, frágil e ingênua, cujos feitos seriam ordens divinas, desconsiderando sua determinação, inteligência e ações. Sua história é muito próxima dos clássicos da dramaturgia mundial. A personagem Joana D’Arc, de 19 anos, transcende todos os padrões de biótipo e idade, possibilitando uma grande liberdade de interpretação”, comenta.

 O elenco é formado por 17 integrantes, entre atores, coro de seis atrizes cantoras e três músicos. As músicas foram compostas especialmente para a peça, com exceção de uma canção de origem francesa. O maestro Briamonte criou arranjos e melodias para letras de Aimar Labaki, Bruna Alimonda, Ricardo Severo e Isabel Oliveira. “Seguindo a estética da montagem, a trilha é contemporânea, mas traz referências sonoras de séculos passados, contextualizando as cenas sem datá-las”, explica. Além do coro, as personagens Joana e Cauchon também cantam ao vivo (em conjunto ou solos) acompanhadas por piano, guitarra e violoncelo. O coro de ‘joanas’ representa todas as diferentes mulheres que foram para a fogueira. Enquanto a protagonista representa força, determinação e resistência, o coro traz feminilidade em diferentes tipos e personalidades. Quanto à cenografia e figurinos, O Julgamento Secreto de Joana D’Arc parte da estética medieval e rústica para uma leitura contemporânea. A ambientação, em sintonia com o espaço, traz cenários sobre grandes objetos, possibilitando o jogo cênico, onde estão presentes também elementos naturais como terra, madeira e lama. Nas roupas, tecidos desgastados, couro e cores terrosas.

 Texto: Aimar Labaki. Direção: Fernando Nitsch. Direção musical: Miguel Briamonte. Elenco: Silmara Deon, Rubens Caribé, Ricardo Arantes, Rafael Costa, Yorran Furtado, Jerônimo Martins, Decio Pinto Medeiros e Mario Luiz. Coro: Bruna Alimonda, Carol Cavesso, Giovana Cirne, Jamile Godoy, Maísa Lacerda e Priscila Esteves. Músicos: Bruno Monteiro (piano) e Leandro Goulart (guitarra). Assistente de direção: Isabel Oliveira. Assistente de direção musical: Carol Weingrill. Cenografia: Marisa Bentivegna. Iluminação: Wagner Pinto. Figurinos: Daniel Infantini. Coreografia de lutas e preparação corporal: Mario Luiz.Preparação e coreografias do coro: Katia Naiane. Fotos: Bob Sousa. Identidade gráfica visual: Rosane Andrade / Inquieto Art Studio. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Produção executiva: Paloma Rocha e Regilson Feliciano. Direção de produção: Silmara Deon. Realização: Nossa Senhora da Produção.

 

Espetáculo: O Julgamento Secreto de Joana D’Arc

Temporada: 26/7 a 20/9 – quartas e quintas, às 20h

Ingressos: R$ 50,00 e R$ 25,00 (meia). Moradores da Bela Vista (com comprovante de residência): R$ 20,00.

Bilheteria: 1h antes das sessões. Aceita cartões de débito e dinheiro.

Vendas antecipadas: www.compreingressos.com.br (tel: 2122-4070).

Duração: 100 min. Classificação: 16 anos. Gênero: Drama musical.

 

Teatro Oficina (350 lugares)

Rua Jaceguai, 520 – Bela Vista, SP/SP. Tel: (11) 3106-2818. http://teatroficina.com.br/


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