No mês de julho, a cor amarela alerta para a prevenção das hepatites virais e a necessidade de vacinação

Escrito por on 09/07/2018

Neste mês de julho, quando a cor amarela da campanha de saúde alerta para a prevenção das hepatites virais, grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, torna-se imprescindível destacar a importância das vacinas na prevenção dessas doenças.

O setor de imunização no Brasil enfrenta um período de grandes desafios. O País sofre com um surto de febre amarela silvestre, voltou a registrar casos de sarampo e segue lutando para reverter o baixo índice de adesão a vacinas. Os índices da cobertura vacinal de bebês e crianças atingiram o nível mais baixo do país nos últimos 16 anos. O levantamento do Ministério da Saúde identificou que todas as vacinas indicadas para crianças com menos de um ano não alcançaram a meta, ficando entre 70,7% a 83,9% enquanto a meta do PNI era imunizar 95% das crianças contra a poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, difteria, varicela, rotavírus e meningite. A adesão abaixo das expectativas do Ministério da Saúde aconteceu também com as vacinas do HPV, gripe, febre amarela e hepatites.

Segundo o hemoterapeuta e hematologista, Ricardo Scuotto, do Hemomed Instituto de Oncologia e Hematologia, no caso das hepatites A e B, especialmente, a vacinação pode prevenir e evitar a doença. “ Os baixos índices de adesão às campanhas de vacinação preocupam a comunidade médica, pois a forma mais eficaz de se evitar as hepatites é a vacinação, hoje gratuita na rede do SUS. A vacinação, junto à descoberta dos antibióticos e à ampliação do saneamento básico, foram os grandes responsáveis pelo aumento da expectativa de vida do ser humano em tempos de paz. Trata-se, sem dúvida, de um grande equívoco não buscar a prevenção através da vacinação, pois seus efeitos adversos são infinitamente menores que seus benefícios”, avalia o médico.

No Brasil, as hepatites virais mais comuns são as causadas pelos vírus A, B e C. Milhões de pessoas são portadoras dos vírus B e C e não sabem. Elas correm o risco de as doenças evoluírem tornando-se crônicas e causarem danos mais graves ao fígado como cirrose e câncer. Existem, ainda, os vírus D e E, esse último mais frequente na África e na Ásia.

O que são hepatites virais?

A hepatite é a inflamação do fígado causada por vírus ou pelo uso de alguns remédios, álcool e outras drogas assim como por doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. O hemoterapeuta do Hemomed explica que apenas 10% a 20% dos casos apresentam os sintomas clássicos como icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes esbranquiçadas. Na maioria das vezes surgem sintomas inespecíficos, como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, que podem ser confundidas com outros tipos de infecções virais. O risco encontra-se no fato que esses sintomas refletem a fase aguda da infecção, podendo cessar em poucas semanas. No caso de infecções pelos vírus B e C da hepatite, os sintomas cessam mas a infecção permanece, evoluindo para forma crônica. Já nos casos de infecção pelo vírus A da hepatite, normalmente evolui para eliminação completa e cura.

 Como são transmitidas?

“Os vírus A e E da hepatite podem ser transmitidos por contágio fecal ou oral decorrentes de condições precárias de saneamento básico e água, higiene pessoal e dos alimentos”, explica o hemotalogista do Hemomed, Ricardo Scuotto. Também os vírus B, C e D podem ocorrer por transmissão sanguínea quando se pratica sexo desprotegido ou por compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha, procedimentos de tatuagem e outros objetos que furam ou cortam. A transmissão também acontece da mãe para o filho durante a gravidez, o parto e a amamentação nos casos dos vírus B, C e D. Um grande risco epidemiológico detectado de 2017 para cá, foi a transmissão do vírus A da hepatite entre homens que se relacionam com outros homens, devido a possibilidade de transmissão por práticas sexuais que levem à exposição fecal-oral. Nota-se uma prevalência maior nas faixas etárias mais jovens, o que levaria a recomendação de vacinação.

As hepatites virais são doenças de notificação compulsória, ou seja, cada ocorrência deve ser notificada por um profissional de saúde. Esse registro é importante para mapear os casos de hepatites no país e ajuda a traçar diretrizes para as políticas públicas no setor.

Hepatites virais e doação de sangue

Indivíduos que tem história prévia de infecção pelos vírus B e C da hepatite não poderão doar sangue, mesmo que curados. Já aqueles que apresentaram infecção pelo vírus A, devem aguardar seis meses após a cura para doarem.

Aqueles que se encontraram em alguma situação de risco para exposição aos vírus da hepatite, deverão respeitar um período de “quarentena” para doações de sangue, que também é de seis meses.

Detecção e tratamento das hepatites virais 

A Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) incentivam os países a aumentar o acesso aos testes de detecção e ao tratamento das hepatites assim como melhorar o conhecimento sobre essas doenças na população. Atualmente, uma a cada 20 pessoas que possuem hepatites virais sabe estar infectada – apenas uma a cada 100 pessoas que têm a enfermidade realiza o tratamento.

Existem 400 milhões de pessoas com infecção crônica pelo vírus da hepatite B ou hepatite C em todo o mundo, número mais de 10 vezes superior aos infectados pelo HIV.


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